Como se mil pessoas se importassem com você, menos uma. E de alguma forma, era a única que você necessitava que se importasse. — Caio Fernando Abreu.
Theme by Carolina S.
i wanna run.. smash into you.

pseudo-insane:

Porque tem um alicate na foto ???????????????????????????????????????


Noite normal, sem indícios de tristeza. Maquiagem nos olhos, rímel nos cílios, batom de cor escura contornando o formato da boca. Cabelo comprido que ia escorrendo pelo corpo. Vestido preto acompanhado de salto alto. Em sua mão direita, uma garrafa de vodka e na esquerda, um cigarro. O simples lhe bastava, não tomava gosto pelo comum. Aquela fase do “foda-se” representada pela frieza. O coração de pedra havia fodido com tudo novamente. Digamos que quanto mais fugia, mais se perdia. Vai-e-vem de sentimentos. Não se notava nenhum sorriso vindo daquela garota. Lhe perguntavam como estava e o silêncio tomava posse da resposta. Que vínculo seria aquele? Retirou a jaqueta que cobria seus ombros até a região de seu tronco, e a deixou estendida pelo balcão do bar. Da sua bolsa, tirava maços de cigarro e os fumava lentamente, um por um, fornecendo-lhes uma impressão calma. Mas o que seria calma em seu vocabulário? Ser machucada e mudar o contexto de sua vida inteiramente. Não era questão de sarcasmo, frieza ou mal educação. Apenas não cabia mais filhos da puta em seu mundo. Mas ela ainda era forte, extremamente forte. Parecia ter sido fabricada por vidro e pedra, exclusivamente para cortar e não se arrepender. Olhou para o espelho, arrumou seu cabelo de uma forma organizadamente-atrapalhada. O que estaria contido naquela imagem? Um ser humano tão cheio e tão vazio ao mesmo tempo. Não havia hora de se lamentar, tomou certeza disso. Colocou um chiclete em sua boca e voltou para aquele lugar que parecia estar tão flácido. Tão repleto de memórias, de lembranças, e de fato, de perdas. — ”Você parece estar incomodada, senhorita.” —  comentara um garoto. Ou melhor, um daqueles idiotas que só servem para apanhar. E o pior é que ele tinha razão. Deveria ela ficar realmente ali, contentando com a dor e a angústia? Por que não fugia, se já era expert nisso? Porque forças esquecidas ainda lhe diziam que era melhor respirar fundo e continuar. (…) Que merda, que droga. Que caralho, nada conseguia liberar a raiva que ela sentia. Por fora, tão segura de si mesma, tão decidida a não abandonar essa aventura. Por dentro? Já estava morta há séculos, com direito de enterro e funeral. Seu corpo inteiro gritava por socorro e ninguém; absolutamente ninguém; conseguia ouvir. Quer saber a verdade? A verdade é que estava foda para continuar. Engoliu mais uma dose de tequila, pegou a jaqueta e foi embora. Por que tudo parecia tão familiar? Tão presente? Por que as memórias não paravam de chorar? Madrugada fria, totalmente vazia. Sórdida, sombria. Leu fragmentos de amor que a faziam acreditar que “para sempre” existia mesmo. Maquiagem borrada, lágrimas violentadas escorriam pelos olhos. Queria dormir, mas o sono não vinha. Então, pegou a caixa de cigarros e começou a fumá-los de novo, um por um. — ”Ei minha jovem, pare com isso. Faz mal.” — ”Uma vez me disseram que o amor fazia bem. Uma vez disseram que não iriam me esquecer. Uma vez me disseram que estariam comigo apesar de tudo, até da morte. E mesmo assim meu coração foi partido, ainda dói, meu caro.” — respondeu-lhe, fechando os olhos.

(cryandlive)


folhadespaulo:

Esta é ‘The Mistery’, escultura feita de luz realizada por Sola em Glastonbury.